Sabias que a Noruega também está a caminho do FIRE? 🌱

 

Imagina uma pessoa que, em vez de gastar tudo o que ganha, guarda uma boa fatia e investe para o futuro. Soa-te a FIRE? Agora imagina um país inteiro a fazer exatamente isso. Foi o que aconteceu na Noruega: depois de descobrirem petróleo em 1969, em vez de gastarem à toa, os noruegueses decidiram guardar a maior parte desses proveitos num fundo soberano. Criaram regras bem rígidas: só podem gastar cerca de 3% do valor total por ano e todo o dinheiro é investido fora do país. Com essa disciplina, resistiram à pressão política e social para gastar o dinheiro do petróleo logo de imediato e deixaram o tempo (e os juros compostos) fazer o trabalho. É literalmente um super plano FIRE à escala nacional: investir globalmente e colher dividendos a longo prazo.

Aqui vai um resumo cronológico rápido do fundo soberano norueguês:

  • 1969 – Descoberta do campo petrolífero Ekofisk, um dos maiores do mundo.
  • 1990 – O parlamento cria por lei o Petroleum Fund (depois chamado Fundo de Pensão do Governo Global).
  • 1996 – Primeiro depósito de receitas petrolíferas no fundo (2 mil milhões de coroas norueguesas, cerca de 180 milhões de euros na altura).
  • Regra dos 3% – A Constituição fiscal limita o uso anual do fundo a cerca de 3% do seu valor. Ou seja, só gastam o “rendimento” esperado, nunca o dinheiro investido.
  • 2025 – O fundo ultrapassa os 21,27 biliões de coroas (cerca de 1,86 biliões de euros), o que dá aproximadamente 332 mil euros por habitante na Noruega (com uma população ~5,6 milhões).

 

Investimentos globais – Hoje o fundo tem participações em mais de 8.000 empresas pelo mundo fora, desde gigantes da tecnologia (Apple, Microsoft, Nvidia…) a bancos, imóveis e projetos de energia renovável. Até em empresas portuguesas investe:

Fonte: Norges Bank Investment Management

Aquele valor que vêm no topo são 1.163 Milhões de euros. Da EDP têm 1.81% o que corresponde a 470 milhões de euros.

 

Um fundo pensado para o futuro

O fundo nasceu para garantir poupança a longo prazo. Em 1990, o governo aprovou a lei por receio de que a economia aquecesse demasiado se o dinheiro do petróleo entrasse diretamente na economia. Mas só em 1996 começou a entrar dinheiro a sério, as receitas excedentes do petróleo passaram a ser canalizadas 100% para essa “poupança nacional”. O fundo fica guardado no banco central da Noruega e acumula investimentos para as gerações futuras.

 

Regras de ouro: disciplina fiscal

O segredo foi a disciplina política. Noruegueses de vários partidos concordaram em não mexer no capital. Definiram que o governo só pode gastar uma pequena parte (o retorno esperado) todos os anos, na prática, cerca de 3% do fundo, mesmo quando o petróleo está caro. Assim, a economia nunca sofreu com inflação por receitas excessivas e o fundo continuou a crescer de forma constante. Mesmo em crises ou com pressão social, os políticos preferem manter o fundo intacto. É como se gastassem como a “classe média” em vez de esbanjar uma fortuna. O resultado? Uma poupança que rende ano após ano, transformando o petróleo num fluxo permanente de rendimentos.

 

Investimentos globais e éticos

Outro aspeto genial: diversificação total no estrangeiro. Ações, obrigações, imóveis e até energia renovável. Hoje o fundo tem participações em mais de 7.200 empresas pelo mundo fora (já são milhares!), desde gigantes da tecnologia a bancos, mineradoras, imóveis e projetos de energia renovável. Imagina só: é dono de cerca de 1,37% da Nvidia (a rainha do IA), 1,23% da Apple e 1,26% da Microsoft. Valores que, no final de 2025, representavam centenas de milhares de milhões de euros em cada uma delas! 😮 Basicamente, a Noruega é um dos maiores acionistas individuais de muitas das empresas mais valiosas do planeta, tudo graças a essa diversificação global massiva.

Abaixo podes ver a lista do top 10 da Nvidia do site do yahoo, são o 8º maior investidor na empresa.

Crescimento brutal: mais do que petróleo

Com estas regras tão conservadoras, o fundo cresceu que nem um balão. Em 2025, por exemplo, teve um lucro anual de cerca de 2,36 biliões de coroas (206 mil milhões de euros), graças ao boom das ações de tecnologia. No final de 2025, o património rondava os 1,86 biliões de euros, um império financeiro. Para um país com apenas ~5,6 milhões de habitantes, isso significa cerca de 332 mil euros por pessoa investidos para o futuro. Curiosamente, o rendimento anual do fundo já supera as receitas diretas do petróleo; a Noruega já vive mais dos “juros” e dividendos do que do petróleo em si.

No site deles podemos encontrar o crescimento do fundo ao longo dos anos. A cinzento estão os retornos e podemos ver que eles investiram durante uns 16 anos até os retornos começarem a ultrapassar os investimentos. A partir daqui começa-se a ver o poder do juro composto e o resultado de tanta disciplina ao investir. Neste momento as mais valias já chegarem a valores megalómanos e a não ser que haja uma catástrofe global, só vão continuar a crescer.

 

Como aplicar isto na tua carteira

A história da Noruega mostra que não é preciso uma grande sorte para alcançar independência financeira. Basta disciplina e visão de longo prazo. Poupança sistemática: guardar regularmente uma parte do que ganhas, resistindo à tentação de gastar só porque “os outros gastam”. Investimento diversificado: espalhar o dinheiro por várias classes de ativos (no case deles ações, obrigações, imóveis, tecnologia) e até no estrangeiro, para surfar o crescimento global. Regra de ouro: gastar só os frutos, nunca o capital. Como os noruegueses fazem com os ~3% do fundo, e reinvestir o resto. E, claro, ter paciência.

No fundo, a grande lição da Noruega é que independência financeira não precisa de ser um drama nem um martírio. Eles não andam por aí a viver de pão seco e água para provar alguma coisa. Simplesmente escolheram jogar de forma esperta: guardar o que sobra, investir com cabeça e deixar o tempo trabalhar por eles. Se um país inteiro conseguiu transformar o petróleo numque rende mais do que o próprio petróleo, imagina o que dá para fazer com o nosso ordenado normal, sem precisar de milagres. O FIRE, no fundo, resume-se a isso: um bocadinho de disciplina, zero pressa e a paciência de quem sabe que o composto faz o trabalho pesado. Escolhas pequenas hoje, liberdade maior amanhã. 💡Vai na volta agente podia fazer isto por cá a vender pasteis de nata :p

 

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Nuno Ahlers

Partilho ideias e ferramentas para quem quer atingir a independência financeira em Portugal de forma simples, realista e sem atalhos. Escrevi um livro sobre investir em ETFs e há mais de 5 anos que ajudo quem quer atingir o FIRE em Portugal. Acredito que qualquer pessoa pode atingir a liberdade financeira se tiver informação clara, objetivos definidos e consistência.

Fundador do maior grupo de Facebook de FIRE em Portugal

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